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 AU - Como se explica a reação agressiva de uma criança que vive em um lar harmonioso e que é repleta de atenção?
Dr. Silmar - Muito fácil. Os pais lhe dão amor, carinho, e brinquedos demais. A criança não consegue coexistir com tudo que lhe dão, nem aprendeu a trabalhar com uma coisa e já lhe dão outra nova. Como lhe dão tudo o que quer e nada lhe negam, ela se torna dominadora, ditatorial e opressora.
AU - Em alguns casos a criança passa a ter o comportamento agressivo por motivos temporários, como o nascimento de um irmãozinho, a hospitalização ou perda de um ente querido. Mas, quando esse comportamento passageiro pode se tornar um desvio de conduta permanente?
Dr. Silmar - Esse tipo de comportamento é normal. São as brigas com os irmãos que vão ajudar a criança a enfrentar dificuldades como adulto, aprender a dividir, vencer e perder disputas e enfrentar a concorrência de modo saudável. O luto é necessário e saudável. Quem não sofre juntos com aqueles que o amam, sofrerá sozinho que é muito pior. Uma pessoa saudável precisa tanto rir como chorar, tanto do sim como o não, tanto de vencer como perder, tanto experimentar o prazer como a dor. Tudo isso faz parte da vida.
AU - A diferença de sexo também pode indicar um aspecto da agressividade?
Dr. Silmar - Homens e mulheres são completamente diferentes. O menino lida melhor com uma palmada do que a menina. Ela fica muito mais sentida, e muitas vezes, se fecha e cultiva a mágoa. Perder privilégios ou castigo funciona melhor com meninas do que pancada. Não é porque o menino gosta de luta que ele se tornará agressivo. Alguns comportamentos fazem parte do desenvolvimento de toda criança. Criar uma criança protegida de tudo, dentro de uma redoma, não garantirá que ela seja saudável, muito pelo contrário. Ele não saberá lidar com os desafios da vida; provavelmente se tornará “bobinha”.
AU - Recentemente, tivemos o caso da criança de nove anos que foi morta dentro da escola pelo colega. Os pais da vítima disseram que um dia antes o filho havia comentado sobre a arma usada pelo colega. Quando os pais devem se preocupar diante de comentários feitos pelas crianças a respeito de maus tratos ou atitudes ameaçadoras presenciadas na escola?
Dr. Silmar - Não se pode deixar para depois a atitude que precisa ser tomada agora. Não podemos culpar os pais do menino assassinado. Porém, os pais devem estar atentos e lutar pela felicidade dos filhos. A maioria está mais preocupada em jantar em restaurante chique, ao lado de gente “importante”, do que comer um sanduiche com os filhos. Pais que dormem e se divertem quando os filhos são pequenos, irão ficar acordados e sofrerem quando os filhos forem grandes.
AU - O senhor pode nos dar dicas de como mudar o comportamento da criança agressiva?
Dr. Silmar - 1. Nunca perca o controle.
2. Não xingue, não grite.
3. Não desconte nos filhos a raiva que a vida lhe faz sentir.
4. Trate e ensine a família a se tratarem com respeito.
5. Pais que não sabem disciplina a si mesmo, não conseguirão disciplinar os filhos.
6. Demonstre amor e carinho na medida certa. Amar não é dar coisas, é dar si mesmo.
7. Dedique, pelo menos, um dia por semana à sua família.
8. Tire férias juntos. Durma menos e brinque mais.
9. Os primeiros seis anos da vida de uma criança são fundamentais. Até os seis anos a sua personalidade está formada.
10. Um comunista afirmou: “Me dê uma criança até seis anos e ela será minha a vida inteira”.
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